E o que Flusser pensaria sobre a co-criação com a GenIA?

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    Autor: Leopoldo Carvalho Correia de Lima
    Publicado em: March 19, 2024

    A interação entre tecnologia e criatividade atravessa um momento de profunda transformação com o advento das Inteligências Artificiais (IAs) Generativas. Esta nova era desafia nossas concepções tradicionais sobre autoria e processo criativo. Para navegar por essa complexidade emergente, as reflexões de Vilém Flusser, particularmente expressas em seu livro Filosofia da Caixa Preta, oferecem direcionamentos para iniciarmos uma reflexão sobre a autoria diante das IAs generativas. Flusser explora a relação entre humanos, tecnologia e informação, propondo uma análise em que a tecnologia não é apenas uma ferramenta, mas um participante ativo no processo criativo.

    Ele argumenta que a tecnologia, particularmente na forma de máquinas fotográficas — a “caixa preta” — altera a natureza da criação e da percepção. No entanto, Flusser vai além da simples ideia de que a tecnologia é uma ferramenta passiva usada pelo criador. Em vez disso, propõe uma relação complexa e dinâmica, em que a máquina influencia e transforma o criador, e vice-versa.

    Essa perspectiva é fundamental para entendermos como as Inteligências Artificiais Generativas estão redefinindo o ato de criar. As IAs Generativas, como as redes neurais profundas, são capazes de aprender a partir de grandes quantidades de dados e, em seguida, gerar novas criações com base nesse aprendizado. Elas não são simplesmente ferramentas que executam comandos, mas entidades que podem, em certa medida, “pensar” e “criar” a partir dos questionamentos que seus usuários fazem, quase em um processo de maiêutica socrática.

    Assim como a máquina fotográfica na visão de Flusser, as IAs Generativas também transformam o criador. Elas desafiam a noção tradicional de autoria e propriedade intelectual, pois levantam questões sobre quem ou o que é realmente o “criador”: o programador que construiu e treinou a IA, a própria IA que gerou a obra, ou ambos?

    Além disso, as IAs Generativas alteram a percepção do público sobre a criação. Elas nos fazem questionar o que é originalidade e criatividade, e nos levam a reconsiderar o valor e o significado da arte e da criação em uma era dominada pela tecnologia.

    A visão de Flusser sobre a relação entre criador, ferramenta e criação é extremamente relevante para a nossa compreensão do papel das IAs Generativas na sociedade contemporânea. Ela nos ajuda a navegar pelas complexidades e desafios apresentados por essas novas tecnologias, e a refletir sobre as implicações profundas que elas têm para a criação e a percepção.


    Leopoldo Carvalho Correia de Lima é formado pela PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo) em Tecnologia e Mídias Digitais com habilitação em Arte e Tecnologia, turma de 2007, e possui pós-graduação em Gestão e Governança da Tecnologia da Informação pelo SENAC-SP (Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial de São Paulo). É especialista em Arquitetura Corporativa. Já trabalhou em empresas como Accenture, Cargill, Vale, Nextel, Hewlett Packard Co., Carrefour, Bank Boston, Primesys e Banco Santander. À época da publicação, exercia a função de Arquiteto de Soluções na Meta e era estudante no MBA Executivo do Setor Elétrico na FGV.